MARIA[S]

Maria… Marias. São três, lembramos. Três Marias foram julgadas pela autoria de um livro com “passagens francamente chocantes por imorais”. Só três? Não, houve uma quarta. Era Maria? Natália, mas era Mulher. Aliás, foi a única capaz de o publicar. Ah, está explicado. Corajosas… Muito corajosas.

Foram julgadas porquê? De que falavam, no livro?

De outras mulheres. Mariana, Maria, Maria Ana, Mónica, de freiras, mas também de maridos, de namorados, de guerra, de liberdade, de vontade. Esta última, o Regime não perdoou. Como não perdoou outras tantas mulheres que colocou no banco dos réus por diversos motivos. Criminosos, claro, que uma mulher pensar e ousar dizê-lo, era o maior crime de todos.

Ao menos que se calassem. Senão todas, algumas. Que, afinal de contas, alguém precisa de parir soldados. E almirantes. E ministros. E inspetores.

Vamos falar de CENSURA. Da que o Regime designou para construir o seu país-ficção e da outra, que décadas de ilusão e ignorância, programadas pela Ditadura, fabricou no imaginário coletivo.

Vamos falar de MULHERES. Das que quiseram apagaram da História e das que tentaram perseguir, silenciar e julgar. Vamos falar de dignidade, de escolha, de insubmissão no país-real que o Regime decidiu censurar.

Vamos falar de LIBERDADE. De várias Liberdades, das coletivas e das individuais. Vamos falar de LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Da que se alcançou com a Revolução e da que hoje é perfidamente proclamada por quem dela faz escárnio.

Vamos falar de uma MARIA. Ou de várias MARIAS. De heroínas, sem dúvida.

- ESTREIA EM 2026 -

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