CICLOS ARTÍSTICOS

O nosso primeiro ciclo artístico explora o papel da MULHER na Resistência.

Tem um nome feminino e a garra de quem não desistiu de lutar. Esperámos por ela. Foi sonhada, ansiada e conquistada, a duras penas. Ela, a MADRUGADA. A que Sophia nos disse que esperou para que a habitássemos, livres.

Este ciclo artístico é um tributo às mulheres. É um tributo à RESISTÊNCIA nas palavras, corpo e voz de quem – sendo mulher e nascendo livre – não esquece, nunca, quem lutou por si.

[2023 – 2026]

UMA TRILOGIA PERFORMATIVA NO EIXO CULTURA-EDUCAÇÃO

Falamos de MULHERES.

Da condição feminina, do papel – tantas vezes silenciado – da Mulher, num período decisivo da nossa vida coletiva.

Falamos de 3 espetáculos, AURORA, MARIA e MADALENA, de várias mulheres de uma mesma época, em momentos de vida muito diferentes. Falamos de tortura, de censura, de justiça [e da falta dela]. De presas políticas, de poetisas, de chefes de brigada. De repressão, de direitos humanos, de emancipação. De medo, de fome, de perseguições. Das cicatrizes que um regime déspota, de políticas cegas, opressivas e xenófobas deixou, em todos nós.

Mas também falamos de esperança, de coragem e de libertação.

Falamos de Resistência, de fibra, de ideais. De cidadania, de responsabilidade e de ação.

O 25 de Abril aconteceu há cinquenta anos. É muito tempo. Passou muito tempo e, nem por isso, as dores dos que o fizeram se esfumam. Quem nasceu em Liberdade não tem ideia do que era nascer em Ditadura. Na escola, pouco se conta, pouco se fala do que era nascer e sobreviver num regime político monstruoso de um fascismo duro, ainda que mascarado pela história, que usava o medo como bastião de um desenvolvimento económico e social que nunca se viu. Pelo contrário. A Ditadura matou muita gente. De fome, de medo, de suicídio, de alcoolismo, a tiro, à pancada, por exaustão… E sem futuro. Não havia futuro para quem crescia na apanha do tomate e poucos anos depois estava de partida para a Guerra. As madrugadas eram iguais, para muitos, na força do trabalho, na miséria, na carência e na fome.

Há sessenta anos, uma mulher não existia, enquanto cidadã de plenos direitos no Código Civil português. Durante séculos não existiu em lugar nenhum do mundo, mas a Ditadura de Salazar e Caetano cristalizou, subjugou e legitimou o controlo masculino e patriarcal sobre as mulheres, em Portugal.

O que se passou em Ditadura deve envergonhar-nos, a todos. O Regime atrasou-nos, privou-nos dos nossos direitos, foi ostensivamente autocrático, desumano e cruel. Durou quarenta e oito anos, alicerçado em instituições perversas e protegido pela sua polícia política, uma entidade que instruiu, perseguiu, torturou e matou muita gente. Por encomenda e por consequência, mas deixou-nos marcas, a todos, e não pode ser branqueada. Mas, “onde há poder, há resistência”, como disse Michel Foucault. Cabe-nos a nós, hoje, honrar quem acreditou na mudança e quem lutou pela liberdade para que, qualquer um de nós, possa encarar uma MADRUGADA, sem medo. Cabe-nos a nós, hoje, lembrar quem trilhou este caminho, para que nunca deixemos que a história se repita.

A Liberdade não é um dado adquirido.

Cabe-nos, a todos, continuar a lutar por ela.

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