Há coisas muito importantes que não devem ficar por contar. A história de Aurora Rodrigues na PIDE é uma delas.
Lisboa, Portugal.
Uma estudante universitária é presa a 3 de maio de 1973.
Aurora Rosa Salvador Rodrigues.
É levada para a cadeia de Caxias onde, com perversos requintes, é submetida a longos períodos de tortura, às mãos dos inspetores e agentes da PIDE-DGS.
Aurora esteve dezasseis dias e dezasseis noites consecutivos, numa cela do Reduto Sul, sem dormir. Foi ostensivamente torturada, humilhada e espancada por lutar contra a Ditadura e defender o fim da Guerra Colonial.
Não falou.
Agarrou-se às flores e ao seu direito de resistir.
A voz era dela e a dignidade também, por muito que lha quisessem tirar.
[NOTA DA AUTORA]
Partindo de testemunhos reais de presos políticos na Ditadura, com especial enfoque na história de Aurora Rodrigues, e recorrendo a uma cenografia que alude aos recursos visuais subversivos dos anos ’70, Aurora convida o público a recuar até maio de ’73, ao momento da sua prisão.
Numa linguagem performativa crua e direta, na primeira pessoa, Aurora conduz-nos numa imersão pela prisão de Caxias, relembrando – na pele – vários momentos decisivos da sua reclusão. Num dispositivo cénico que evoca o panfletário reacionário da época, onde a reacionária tinta vermelha contrastava com o cinza da imprensa subjugada, Aurora transporta-nos para o seu imaginário e relata-nos a sua passagem pela PIDE.
Abordando questões como o isolamento, a tortura psicológica, os interrogatórios falhos convertidos em momentos de agressão e violência física extremas, mostra-nos os meandros da participação ativa e consciente dos agentes da PIDE-DGS, mas sobretudo, a fibra da sua resistência. Revela-nos onde e como se agarrou à esperança e como esta foi fundamental para continuar a lutar contra o Regime, após tantas privações.
É um espetáculo sobre a coragem e a resiliência de uma jovem mulher de 21 anos que acreditou, até ao fim, que a Liberdade e a Democracia mereciam o seu sacrifício. E se ninguém tivesse acreditado? Quem seríamos hoje se ninguém tivesse acreditado?
[FICHA ARTÍSTICA]
INVESTIGAÇÃO, TEXTO, CRIAÇÃO E INTERPRETAÇÃO
Inês Melo
ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO E DIREÇÃO DE ATORES
Ricardo Denzel
CENOGRAFIA E FIGURINOS
Inês Melo
SONOPLASTIA
Ricardo Drone
DESENHO DE LUZ
Inês Melo
FOTOGRAFIAS
Carlos Mateus de Lima, Joaquim Madeira
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Inês Melo
ÁUDIO ORIGINAL COM AS VOZES DE
Ana Cloe, André Ramalho, Inês Melo, Joana Sapinho, José Chaíça, Luísa Fidalgo, Marco Augusto, Michel Simeão, Ricardo Denzel, Rita Ruaz, Vera Condeço
APOIO À CRIAÇÃO
Casa de Giz, Museu Agrícola de Riachos, 25 de Abril em Movimento
AGRADECIMENTOS
Aurora Rodrigues, Museu Agrícola de Riachos, Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes
Uma produção RAIAR – Laboratório Criativo.
DATA DE ESTREIA | 22.ABRIL.23
2 temporadas
19.ABRIL | CENTRO CULTURAL ELVINO PEREIRA
Mação
24.ABRIL | BIBLIOTECA MUNICIPAL GUSTAVO PINTO LOPES
Torres Novas
26.ABRIL | CENTRO CULTURAL DE V. N. BARQUINHA
Vila Nova da Barquinha
03.MAIO | BIBLIOTECA DE ALCÂNTARA
Lisboa
22.ABRIL | MUSEU AGRÍCOLA DE RIACHOS [estreia]
Riachos, Torres Novas [aurora no 25 de Abril em Movimento]
24.JUNHO | MUSEU AGRÍCOLA DE RIACHOS
Riachos, Torres Novas [aurora no M.A.R.]
01.JULHO | CASA CHEIA
Lisboa [aurora na Casa Cheia]
21.JULHO | RECREIOS DA AMADORA
Registos fotográficos cedidos por:
Carlos Mateus de Lima, Joaquim Madeira e FEM – Feministas em Movimento